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BC discutirá com mercado modernização do sistema câmbio em 17/3 Intenção é simplificar e racionalizar os processos atualmente usados de forma a tornar o sistema mais simples BRASÍLIA E SÃO PAULO - O Banco Central apresentará ao mercado o projeto "Modernização do Sistema Câmbio" na quarta-feira da próxima semana, 17, a partir das 10 horas, na regional da instituição no Rio de Janeiro. A iniciativa tem como objetivo modernizar o chamado Sisbacen Câmbio, sistema usado por bancos e corretoras para o registro das operações com moedas estrangeiras. A intenção é simplificar e racionalizar os processos atualmente usados de forma a tornar o sistema mais simples, rápido e, como consequência, mais eficiente e com menos custos para instituições financeiras e clientes. A assessoria de imprensa do BC esclareceu que não serão anunciadas mudanças regulatórias no mercado de câmbio. A apresentação diz respeito, apenas, à plataforma tecnológica que é usada desde os anos 80. Qualquer mudança regulatória precisa ser feita por Lei, decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) ou medida do Banco Central. "O escopo se restringe aos sistemas informatizados, nada altera as regras cambiais atualmente vigentes", segundo a assessoria de imprensa do BC. De acordo com o convite enviado aos agentes financeiros, o novo sistema vai compreender operações do mercado primário - como comércio exterior e transferências - e também do segmento interbancário. Outra novidade é a criação de um ambiente de troca de mensagens entre o BC e as instituições financeiras, modelo usado com sucesso em outros sistemas eletrônicos da autoridade monetária. Expectativas Dois executivos do mercado de câmbio que participarão da reunião do BC do dia 17 estão otimistas com o projeto do BC de modernizar o chamado Sisbacen Câmbio, ainda que ponderem que não deve afetar as cotações, pelo menos não no curto prazo. Mas a perspectiva é de que a desburocratização dos processos atraia ainda mais fluxo de recursos ao País e reduza o chamado risco Brasil. "O País continua em condições de liberalizar ainda mais o mercado de câmbio", diz Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, que diz ser essa uma meta antiga dos operadores. Há ainda muitos dados que precisam ser registrados em cada contrato, diz ela, e o fato de que a integração com o BC não é totalmente em tempo real, algo que ela espera que venha a acontecer com as mudanças. O BC confirma a expectativa de Miriam em prospecto sobre o projeto em seu website: "O novo sistema vai envolver as operações de câmbio negociadas diariamente nos mercados primário (exportações, importações e transferências financeiras) e interbancário, sendo implementada a sistemática de troca de mensagens entre os sistemas do Banco Central e das instituições financeiras". Para Miriam, "nos próximos anos, as modernizações podem facilitar o processo de internacionalização da moeda brasileira", acredita ela, que lembra que o Brasil já tem acordo nesse sentido com a Argentina e caminha para algo semelhante com a China. Ela lembra, entretanto, que algumas mudanças dependem de leis e que com certeza haverá um processo de transição, mas ressalta que o processo não deixa de ser "benéfico". "Não deve ter nenhuma influência nas cotações, mas ao longo do tempo as medidas podem nos aproximar dos países mais desenvolvidos e implicar em menos risco país", disse ela. Jorge Knauer, gerente de tesouraria do Banco Prosper, também espera por uma desburocratização e simplificação dos processos, algo que, segundo ele, já vem acontecendo desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso. "Mas ainda há muita coisa a ser melhorada", ressalta. O próprio BC, ao descrever o processo de modernização em seu site, afirma que "embora já tenham ocorridas muitas adaptações no sistema originalmente implantado, a estrutura básica e os seus princípios de funcionamento ainda são os mesmos, após 25 anos de existência", já que o Sisbacen/Câmbio foi instituído em 1985. Knauer concorda que essas medidas, por si só, não devem ter influência no dólar no curto prazo, mas "farão preço no longo prazo", na medida em que facilite as negociações de moedas. |
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